domingo, 5 de abril de 2015

O RIO SÃO FRANCISCO, EM PAULO AFONSO, NA BAHIA, ABRAÇA O COMPANHEIRO BAHIA!

Tributo ao Companheiro Manoel Bahia:


Manoel Ramos de Souza, o Bahia, 27 anos: coordenador da Ocupação Vitória em Belo Horizonte e Santa Luzia, MG, dia 31/03/2015, às 15:00h, foi covardemente assassinado. Bahia, pessoa super humana, um herói, um guerreiro, um mártir da luta por moradia própria, digna e adequada. COMPANHEIRO BAHIA, SEMPRE PRESENTE, EM NÓS, NA LUTA! Bahia não morreu, se multiplicou. Bahia não foi sepultado, mas semeado na terra da Ocupação Vitória e na terra baiana de Paulo Afonso ao lado do Velho Chico.
Mais informes, Notas, textos e vídeos com/sobre o Bahia no face da Ocupação Vitória, em www.ocupacaovitoria.blogspot.com.br , www.freigilvander.blogspot.com.br

Tributo n. 1: O RIO SÃO FRANCISCO, EM PAULO AFONSO, NA BAHIA, ABRAÇA O COMPANHEIRO BAHIA!
Por Maria do Rosário de Oliveira Carneiro.

Companheiro Bahia volta para a Bahia. Volta para os braços do Rio São Francisco que banha a cidade de Paulo Afonso, sua terra natal.
Com a alegria que é própria do encontro de conterrâneos, conheci o Bahia na Ocupação-comunidade Vitória, em Belo Horizonte e Santa Luzia, MG. Bahia me contou que era de Paulo Afonso e conversamos sobre muitas coisas da Bahia. Falamos do Rio São Francisco que banha sua cidade, da saudade...
Fomos convivendo e descobri que naquele jovem, que hoje, dia 03 de abril de 2015, completa 27 anos de vida, digo vida porque ele vive, existe uma linda pessoa humana. Solidário, íntegro, ético, companheiro e defensor do povo pobre trabalhador, com uma profunda consciência de classe trabalhadora. Participou de várias lutas, não somente das lutas da Comunidade Vitória, mas das demais ocupações da Izidora, de Belo Horizonte e região metropolitana.
Na véspera de sua morte covarde, nos encontramos em uma reunião à noite na Ocupação Esperança, uma das três Ocupações da Izidora, reunião esta, preparatória para o encontro com o governo de Minas Gerais, no dia seguinte, para as tratativas da Mesa de Negociação sobre as ocupações. Ele estava silencioso, mas ao final pediu a palavra e fez uma grande defesa do povo que espera por uma decisão justa do governo: disse perceber que as famílias da Izidora estão cansadas de promessas, decepcionadas com a proposta apresentada até agora na Mesa de Negociação, pois representa uma forma de despejo. Conclamou às demais lideranças a seguirem lutando. "Nossa fé tem que estar na nossa luta", disse. "Tenho medo que eles estejam nos enganando, o povo está sofrendo. Não podemos aceitar injustiças." Afirmou.
Desde o momento que ficamos sabendo de sua morte, covardemente assassinado, às 15:00h – mesmo horário da crucificação de Jesus Cristo – dia 31/03/2015, temos comungado muita dor. Somos muitos o que sentimos sua partida. Mas experimentamos uma esperança. Carregamos em nós a certeza da semente que cai em terra fecunda, que germina, nasce e produz frutos. 
Pelo sangue de Manoel Bahia que escorreu pela terra da Izidora, em Belo Horizonte e Santa Luzia, fica decretado que as famílias que vivem nas ocupações de Minas Gerais e do Brasil não podem ser despejadas, não podem ser retiradas daquele chão. O Sangue de Bahia é a sentença final transitada em julgado. Não cabe nenhuma decisão em contrário. Cabe o reconhecimento de que aquela terra é sagrada e pertence ao povo que hoje nela vive e lhe possibilita cumprir a função social.
A família de Manoel Bahia solicitou que ele fosse sepultado, melhor dizendo, semeado, em Paulo Afonso, sua terra natal. Bahia não foi sozinho. Foi com ele uma representação da grande família que ele tem nas terras mineiras, terra amiga, terra dos nossos amores, terra companheira e irmã. Um gesto de extremo amor.
Sua despedida na Comunidade Vitória foi a mais bonita mística da vida misturada com a luta por solidariedade, partilha e justiça. Quando seu corpo seguiu rumo à Bahia, eu me lembrei de nossa conversa cheia de saudades no dia que nos conhecemos. Lembrei-me do Rio São Francisco, do axé daquela gente simples e feliz. Senti, no fundo do coração, o Rio São Francisco abraçando e acolhendo o Bahia. Bahia volta para a Bahia, volta para o Rio que também sente saudades... Nós seguiremos firmes na luta. Bahia, muito mais vivo você vive em nós! Obrigada pelo seu testemunho, pela sua doação. Honraremos seu nome!

Maria do Rosário Carneiro.
Belo Horizonte, MG, Brasil, dia 03 de abril de 2015, aniversário do companheiro Bahia, 27 anos. COMPANHEIRO BAIA, SEMPRE PRESENTE, EM NOS, NA LUTA!

quarta-feira, 1 de abril de 2015

VELÓRIO DO BAÍA, da Ocupação Vitória, de BH e Santa Luzia, MG.

VELÓRIO DO BAÍA, da Ocupação Vitória, de BH e Santa Luzia, MG


Profundamente comovidos, anunciamos e convidamos para o Velório do Baía, um dos maiores guerreiros da luta por moradia própria, digna e adequada, por reforma urbana e justiça social.
O corpo do Baía, integrante da coordenação da Ocupação Vitória, de Belo Horizonte e Santa Luzia, MG, já foi liberado do IML em Belo Horizonte e está na funerária sendo embalsamado. Por volta as 13:00h de hoje, quarta-feira, dia 01/04/2015, o corpo do Baía estará chegando na Ocupação Vitória para velório de 13:00h às 21:00h. Haverá Celebração/Ato às 16:00h e às 20:00h. Às 21:00h o corpo deverá deixar a Ocupação Vitória e ser levado de carro por uma funerária para ser sepultado em Paulo Afonso, na Baía. O Baía voltará para a Baía, grande sonho da mãe dele. Às 14:00h o povo da Ocupação Rosa Leão, com apoiadores, sairá em marcha passando pela Ocupação Esperança para junto com o povo da Ocupação Esperança chegar na Ocupação Vitória por volta das 15:30h e participar das celebrações/Atos. Esperamos representação  - a maior possível – de todas as Ocupações de BH e RMBH. Venham consolar os aflitos! Baía: “Nós lutamos por direitos”. Baía, uma das pessoas mais humanas que conhecemos na face da terra.
Cf. Nota em www.ocupacaovitoria.blogspot.com.br , no face e nos blogs das ocupações de BH e RMBH.
Baía, PRESENTE sempre em NÓS NA LUTA!

Obrigado, Baía! Obrigado a dona Zinha (56 anos), mãe do Baía, e senhor João (80 anos), pai do Baía, aos seus 5 irmãos/ãs, parentes, Fabiana e amigos/as. Nós amamos o Baía e vocês também. 

terça-feira, 31 de março de 2015

A TARDE MAIS TRISTE: COMPANHEIRO BAHIA ASSASSINADO. BH, 31/03/2015

A TARDE MAIS TRISTE: COMPANHEIRO BAHIA ASSASSINADO. 

        Hoje, 31 de março de 2015, a tarde mais triste das ocupações da região da Isidora, em Belo Horizonte e Santa Luzia, MG. Morreu Manoel Ramos, o Bahia, coordenador da Ocupação Vitória e valoroso militante da luta das famílias sem-teto da capital de Minas Gerais e da Região Metropolitana de BH. Por volta das 15:00h o Bahia foi assassinado a golpes de machado e facão por oportunistas infiltrados na comunidade Vitória, indivíduos que pretendiam lucrar com a luta de milhares de famílias que lutam aguerridamente por moradia própria, digna e adequada. Bahia tombou no lugar onde sonhou viver, um sonho que não era só dele, mas compartilhado por milhares de famílias que desejam se libertarem do aluguel e da humilhação de sobreviver de favor; um sonho de outras tantas pessoas, dentro ou fora das ocupações, que assumem o compromisso de construir uma cidade onde caibam todos e todas.
Bahia foi morto por se opor à venda de espaços dentro da ocupação, por procurar garantir que aquela comunidade acolhesse apenas aqueles e aquelas que realmente necessitam de teto. Morreu por ser justo e por fazer do princípio da igualdade seu maior estandarte. Foi vítima da cobiça intolerável de poucos, da intransigência dos poderes públicos em construir uma solução justa, pacífica, negociada e rápida para o maior conflito social urbano do Brasil, hoje instalado na Região do Isidora. Foi a ausência de uma política efetiva de Reforma Urbana que fez do Bahia uma vítima, e nos privou a todos da presença deste gigante em coragem e generosidade.
Bahia era há meses vítima de ameaças, por seguir as determinações coletivas que impedem a venda de lotes em áreas ocupadas. Também foi sobrevivente de um atentado contra sua vida executado por PMs, fato que quase o levou à morte, isso por se opor às violações de direitos promovidas por policiais militares contra os moradores da Ocupação Vitória. Bahia nunca se intimidou. Seguiu lutando, denunciando e construindo o futuro de milhares. Um futuro que lhe pertence e que lhe foi negado.
Um pedaço de nós morreu com Bahia, porém aquilo que é vivo em nós se fortalece nesta dor. Não será inútil o sacrifício deste amigo e companheiro. Bahia morreu por defender a justa luta por dignidade, por uma cidade aberta, na qual todos/as e cada um/a possam conviver em plenitude. Diante de um gesto de tanta coragem, não temos o direito de desistir. Devemos levar às últimas consequências o exemplo deste extraordinário ser humano. Devemos lutar, resistir e vencer, coletivamente. 
Se tentaram, pelo medo, impor uma ordem injusta, será pela coragem de moradores/as, apoiadores/as e organizações que prevalecerá a igualdade e a Vitória. Seguiremos combatendo toda e qualquer tentativa de utilização indevida da luta de tantos e tantas.
Cabe aos governos evitar que esta situação se repita, e que de uma vez por todas garanta o direito de todas as famílias sem-teto das ocupações urbanas de Minas Gerais.
Não toleramos mais pagar com sangue a intransigência dos governantes, a insensibilidade do judiciário e os interesses dos empresários.
A tarde mais triste nos desola. Esta noite choramos sobre o corpo de um de nós. Amanhã nos daremos conta que estamos vivos, e que o tributo cobrado pelo que tombou, é a marcha firme dos que vivem. Nos manteremos sempre de pé.
Companheiro Bahia. PRESENTE!

Belo Horizonte, MG, Brasil, 31 de março de 2015.

Assinam essa Nota,
Brigadas Populares;
Comissão Pastoral da Terra (CPT);
Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB);
Coordenação das Ocupações Vitória, Esperança e Rosa Leão
e Rede de Apoio.


segunda-feira, 23 de março de 2015

quarta-feira, 18 de março de 2015

Ocupações urbanas de BH, RMBH e de Uberlândia, em MG, fazem luta histórica. BH, 18/03/2015

Ocupações urbanas de BH, RMBH e de Uberlândia, em MG, fazem luta histórica.
Hoje, dia 18/03/2015, as Ocupações urbanas de Belo Horizonte, Região Metropolitana de BH e de Uberlândia, irmanadas com ocupações urbanas de outros 12 estados, fizeram um Dia Nacional de Lutas das Ocupações Urbanas. A periferia ocupou dezenas de cidades na luta por Reforma Urbana de verdade. O trânsito foi bloqueado na parte da manhã em 03 pontos em Uberlândia e em 09 pontos de BH e RMBH:
1)   MG 10 (Linha Verde), a que dá acesso ao aeroporto de Confins, foi bloqueada em 3 pontos: a) diante da Cidade Administrativa; b) em Vespasiano, próximo à Cidade Administrativa; c) Ao lado da Carbel, logo após o Hospital Risoleta Neves, bloqueando a Av. Cristiano Machado e a Av. Dom Pedro I;
2)   Anel Rodoviário, em 2 pontos: a) Ao lado do Viaduto São Francisco; b) Ao lado da Ocupação Novo Paraíso, no Palmeiras, em BH;
3)   Av. Antônio Carlos, na entrada da UFMG;
4)   BR 040, em Contagem, MG, ao lado do CEASA;
5)   No Barreiro, em BH, 2 pontos: a) Via do Minério; b) Av. Senador Levindo Coelho;
Na parte da tarde, povo das Ocupações se reuniu na Cidade Administrativa, em BH, onde acompanhou reunião de uma Comissão dos Movimentos Sociais (Brigadas Populares, MLB e Luta Popular), da Comissão Pastoral da Terra e representantes das Ocupações Vitória, Esperança, Rosa Leão, Nelson Mandela, Novo Paraíso, Eliana Silva e Olaria (em BH), Santa Maria (em Vespasiano), Guarani Kaiowá e William Rosa (em Contagem) e Barreirinho (em Ibirité).
Pelo Governo de MG participou da reunião o Secretário de Governo Odair Cunha, Fernando Tadeu, Claudius e Cel. Hebert, além de outros funcionários.
Ficou acordado, segundo Ata de Reunião, que:
1)   Reafirmado que o Governo de MG não fará despejo sem apresentar alternativa digna de moradia;
2)   O Comandante Geral da PM de MG deverá receber em reunião na próxima semana uma Comissão dos Movimentos sociais e Ocupações;
3)   O secretário de Governo Odair Cunha assegurou que o Governador Pimentel receberá em Audiência uma Comissão dos Movimentos sociais e Ocupações urbanas, após alinharmos Decreto que instituirá oficialmente a Mesa de Negociação com as ocupações e após apresentarmos proposta de lei para aprimorar a Lei 13.604/2000, buscando assegurar legalmente em MG que não poderá haver despejo forçado sem alternativa digna e prévia;
4)   A Secretaria de Governo analisará buscando a suspensão/abolição do TAC firmado entre Ministério Público de MG, prefeitura de BH, COPASA e CEMIG, TAC que proíbe a COPASA E A CEMIG colocar água e energia nas ocupações, pois água e energia são bens comuns e não podem continuar sendo negados ao milhares de famílias que estão vivendo em Ocupações consolidadas, tais como as Ocupações Dandara, Camilo Torres, Irmã Dorothy, Eliana Silva, Rosa Leão, Esperança, Vitória e muitas outras em BH. Teremos uma resposta em 15 dias.
Assim, por volta das 17:00h, o resultado da Reunião com o Governo de MG foi apresentado em Assembleia ao povo das Ocupações que estava acampado na Cidade Administrativa esperando o fim da reunião. Animado e feliz com as várias vitórias das lutas de hoje, o povo voltou para as ocupações-comunidades, certos de que só será respeitado ao demonstrar a força do Poder Popular em lutas coletivas, com organização e cumplicidade na luta que é de todos por uma cidade e sociedade que caiba todos/as.
Pela CPT,
frei Gilvander Moreira. www.freigilvander.blogspot.com.br


Ato Nacional Periferia ocupa a cidade! Reforma Urbana de Verdade! Release e Nota à Imprensa e à sociedade. BH, 18/03/2015

 Ato Nacional
Periferia ocupa a cidade! Reforma Urbana de Verdade!
Release e Nota à Imprensa e à sociedade.

De 13 estados do Brasil, 18 de março de 2015.

As cidades, espaços de vida da maioria do povo brasileiro, são historicamente produzidas e reproduzidas pelo manto do capital imobiliário, segundo interesses das elites políticas e econômicas, fortalecendo a segregação urbana e a desigualdade social. Milhões de pessoas, trabalhadores e trabalhadoras, constroem coletivamente as cidades, mas são privadas de exercitarem os direitos mais elementares no espaço urbano e sofrem violências diversas do Estado.
No Brasil há uma crise urbana aguda em função do enorme déficit habitacional que ultrapassa 7 (sete) milhões de moradias. Além disso, milhões de brasileiros vivem em áreas urbanas sem acesso à água, sem serviços de coleta de lixo, sem sistema de saneamento básico, com graves restrições no que toca à mobilidade urbana, sofrendo com a militarização das cidades e com a violência policial.
O modelo de política urbana adotado pelo governo federal nos últimos anos privilegia abertamente o setor imobiliário - as construtoras, incorporadoras e os proprietários de terra urbana - que lucraram e lucram bilhões de reais. Não há uma política urbana que contenha os avanços do capital imobiliário e que seja capaz de fortalecer as políticas públicas de habitação de interesse social e de urbanização no país. Prova dessa postura foi a indicação de Gilberto Kassab para o Ministério das Cidades como representante do setor imobiliário em detrimento de políticas que produzam justiça urbana.
O projeto de reforma urbana baseado em um modelo de desenvolvimento que entende a cidade como uma mercadoria, o povo enquanto consumidor e privilegia as grandes construtoras e empresas é incapaz de sanar a crise urbana e resolver os problemas de falta de moradia digna, transporte e serviços públicos de qualidade. O maior programa de moradia do país - Minha Casa, Minha Vida - lançado para dar resposta à crise internacional de 2008 - foi incapaz de reduzir o déficit habitacional no país, pois ao mesmo tempo que construiu moradias, alimentou a concentração fundiária e a especulação imobiliária: cerca de 70% dos contratos do Minha Casa, Minha Vida estão concentrados nas dez maiores construtoras e incorporadoras do país. Não será fortalecendo a lógica do capital imobiliário que resolveremos a crise urbana.
A reforma urbana de verdade é construída a partir da iniciativa do povo de periferia organizado que ocupa terras improdutivas, constrói o espaço urbano e luta pelo direito à cidade e pela efetividade dos mecanismos de controle urbano do capital.
A periferia que ocupa a cidade faz o Brasil parar, hoje, dia 18 de Março de 2015 para colocar para todo o País a necessidade de uma reforma urbana popular e de massas nos seguintes termos:

1. O Governo Federal deve lançar imediatamente a terceira etapa do Programa Minha Casa Minha Vida - barrado até o momento pelo ajuste fiscal antipopular - e modificando profundamente a configuração em relação às primeiras duas etapas. O programa deve priorizar a gestão direta pelos movimentos em detrimento das empreiteiras; a localização central e maior qualidade das moradias; e a garantia de ao menos 70% das moradias para famílias com renda inferior a 3 salários mínimos, mantendo o subsídio.

2. As comunidades e os movimentos sociais devem ser tratados como caso de política e não de polícia pelos governos e pelo judiciário. É necessário que se suspenda todos os despejos e urbanize as áreas ocupadas, garantindo o pleno acesso aos bens e serviços públicos essenciais para o exercício do direito à cidade.

2. Os municípios devem efetivar os mecanismos de regulação urbana e controle da especulação imobiliária previstos no Estatuto das Cidades, como o IPTU progressivo, a desapropriação sansão e as áreas de especial interesse social. Sem a contenção da especulação, construir mais moradias para sanar o déficit habitacional é como enxugar gelo!

3. É necessário promover o controle social dos alugueis mediante a mudança na lei federal nº 8.245/1991. O aumento no valor dos aluguéis, impulsionado pela especulação imobiliária, tem despejado de maneira silenciosa milhões de pessoas no Brasil.

4. Tarifa zero nas cidades brasileiras como forma de garantir o direito de ir e vir de toda a população. Efetivação do transporte público como direito social, financiado por tributação progressiva, caracterizado como serviço público fundamental que assegura o acesso a outros direitos tais como o direito ao lazer, trabalho, saúde e educação.

5. Combate à Violência Policial, uma das principais materializações da Violência do Estado. A violência policial em vilas, favelas, aglomerados, ocupações e bairros de periferia é sistemática e estrutural, ceifando centenas de milhares de vidas, principalmente voltada para jovens negros e pobres. A lógica da Polícia Militar é a lógica do inimigo interno materializado no povo pobre das periferias. Como resposta faz-se urgente a desmilitarização da Polícia Militar!    

PERIFERIA OCUPA A CIDADE! REFORMA URBANA DE VERDADE!

Assinam o manifesto:
RESISTÊNCIA URBANA - Frente Nacional de Movimentos:
MUST (Movimento Urbano Sem Teto de SJC/Pinheirinho)
Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST)
Brigadas Populares
Movimento Luta Socialista (MLS)
Movimento Sem Teto da Bahia (MSTB)
Nós da Sul
Comitê Popular da Copa/RS
         Movimento Luta Popular (MLP)
Comissão Pastoral da Terra – CPT/MG
Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB)
           Frente Terra e Autonomia (FTA)

Contatos para maiores informações com:

Rafael, cel. 31 8812 0110; Bela, cel.: 31 8629 0189; Leo, cel.: 31 9133 0983; Lacerda, cel.: 31 9708 4830; Deise, cel.: 31 86005895; Charlene, cel.: 31 9338 1718; cel.: Elielma, cel.: 31 9343 9696; Edna, cel.: 31 8816 1672; Romerito, cel.: 31 9609 8281.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Guarda Municipal de Belo Horizonte fazer reintegração de posse? Frei Gilvander Moreira, da CPT. BH, 09/03/2015

Guarda Municipal de Belo Horizonte fazer reintegração de posse?
Frei Gilvander Moreira, da CPT.

O prefeito de Belo Horizonte, MG, Márcio Lacerda (PSB), anunciou no dia 07 de março de 2015, a intenção de montar uma equipe da Guarda Municipal para evitar ocupações de terrenos públicos e até agir no cumprimento de ordens de reintegração de posse. O vereador Adriano Ventura (PT), comprometido com os movimentos sociais de luta por moradia, criticou a medida. “Isso demonstra uma total falta de tato do prefeito para negociar com os movimentos sociais, querendo resolver tudo na marra”, afirmou. Segundo Adriano, o prefeito revelou que a equipe especial da Guarda Municipal contará com 200 homens. Inaceitável isso, pois é mais um passo na militarização dos problemas sociais. Estupidez, isso é aumentar a violência contra quem  já vem sendo violentado há muito tempo, centenas de milhares de famílias sem-terra e sem-casa.
Estima-se que o déficit habitacional em Belo Horizonte (BH) esteja em 150 mil moradias. Em 2010, segundo a Fundação João Pinheiro, faltavam em BH 78 mil moradias. A prefeitura de BH (PBH) não entregou até agora nenhuma casa pelo Minha Casa Minha Vida, apenas poucos apartamentos, que na verdade são apertamentos. Milhares de famílias estão em Bolsa Moradia. A PBH parou de pagar Bolsa Moradia para muitas famílias sem reassentá-las. O Programa Vila Viva, melhor dizendo, Vila Morta, reassenta só 50% das famílias que são atingidas pelas inúmeras e constantes intervenções das obras na cidade para atender o interesse dos que podem andar em carros particulares ou residir nas melhores áreas urbanas. Nos últimos seis anos milhares de casas foram demolidas em BH para arrumar “casas” para automóveis, alargamentos de avenidas, viadutos e estacionamentos, inclusive subterrâneos. Em BH, nos últimos anos a PBH mais destrói casas do que constrói.
“Uma pessoa sem casa é como um pássaro sem ninho: voa, voa, mas não tem onde se assentar”, diz muita gente que está debaixo da pesadíssima cruz do aluguel. “Uma pessoa sem casa é como um pássaro sem asa: não voa”, dizem outros que amargam a humilhação que é sobreviver de favor nas costas de parentes. O povo sem-casa, após esperar demais, perdeu a paciência e descobriu que se ficar resignado esperando, vai morrer aos poucos sem moradia própria, digna e adequada. Por isso, com o apoio de Movimentos Sociais, tais como as Brigadas Populares, o MLB (Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas), de Pastorais Sociais, tal como a CPT (Comissão Pastoral da Terra) e com uma grande Rede de Apoio, tais como os arquitetos da Associação dos Arquitetos Sem Fronteira, os advogados do Coletivo Margarida Alves, geólogos, artistas, professores, estudantes de diversas Universidades e colégios, o povo, por meio  de/nas ocupações, já construiu, nos últimos sete anos, mais de 10 mil casas de alvenaria, se libertando das cruzes do aluguel e da sobrevivência de favor, em áreas de risco ou nas ruas.
A história demonstra que problema social só se supera de forma justa e pacífica com a efetivação de políticas públicas, com diálogo e negociação com o povo organizado e com os movimentos sociais. A injustiça social que leva um enorme e crescente déficit habitacional é um gravíssimo problema social que jamais pode ser tratado com repressão pela polícia e muito menos pela Guarda Municipal. É inadequado, além de covarde, reprimir famílias que desesperadamente buscam um lugar para sobreviver. A lei da gravidade não foi abolida. Logo, não dá para as pessoas construírem suas casas no ar tendo ressarcidas somente as benfeitorias como é feito nas indenizações. Quanto mais repressão mais ocupações ocorrerão. O melhor remédio é frear a especulação imobiliária e acelerar os projetos de habitação popular dialogando com o povo organizado Sem Casa e com os movimentos sociais.

Enfim, é inconstitucional, injusto e imoral colocar a Guarda Municipal, e até mesmo a polícia militar para tratar de problemas sociais como os das ocupações. Segundo a atual Constituição brasileira de 1988 e os vários tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário, reintegração de posse apenas como último recurso que deve ser precedido de processo autêntico de negociação que leve a alternativa digna de moradia prévia. Ou seja, chave a chave. Decisões judiciais em alguns estados têm sido nesta linha. Por isso lutamos em respeito à dignidade humana e para que o direito constitucional à moradia se concretize.