domingo, 21 de outubro de 2018

Luta pela conquista da moradia: Ocupação Prof. Fábio Alves/Belo Horizont...







Conquistar
moradia digna é direito e dever de todos. Ocupação Professor Fábio Alves, em
Belo Horizonte/MG. 3ª Parte. 10/10/2018.
Cerca de 500 famílias ocupam
terreno abandonado há séculos na divisa entre Belo Horizonte e Ibirité, ao lado
da Via do Minério, entre os bairros Marilândia e Jatobá IV. Vítimas do
capitalismo e dos capitalistas que em nome do deus capital seguem moendo vidas,
por meio da especulação imobiliária que coloca sobre a classe trabalhadora o
peso cruel e desumano da cruz do aluguel, essas famílias lutam pela conquista da
moradia digna, direito de todos e todas. O terreno, que por séculos serviu como
depósito de lixo de toda espécie, sem cumprir qualquer função social, começa a
ter alterada sua paisagem com o serviço de limpeza que está sendo realizado
pelas famílias da Ocupação e pelos barracos de lona preta que se espalham pelo
terreno. A Ocupação tem o nome do Professor Fábio Alves (in memorian), Advogado Popular que muito contribuiu na luta pelos
direitos humanos, na luta por moradia, sempre apoiando os Movimentos Sociais
Populares, grande defensor da dignidade humana. O Movimento Luta Popular (LP),
a Central Sindical Popular CONLUTAS (CSP CONLUTAS) e a Comissão Pastoral da
Terra (CPT) apoiam a Ocupação Professor Fábio Alves e uma grande Rede de Apoio
já está se formando para que as famílias da Ocupação recebam a assistência
necessária e a Ocupação seja estruturada e organizada de forma coletiva,
cuidando da atenção básica às famílias e tenha um projeto urbanístico adequado
às necessidades do dia a dia, para exercício pleno da cidadania. *Filmagem de
frei Gilvander Moreira, da CPT, das CEBs e do CEBI. Edição de Nádia Oliveira,
da Equipe de Comunicação da CPT-MG. Belo Horizonte/MG, 10/10/2018.
* Inscreva-se no You Tube,
no Canal Frei Gilvander Luta pela Terra e por Direitos, no link: https://www.youtube.com/user/fgilvander,
acione o sininho, receba as notificações de envio de vídeos e assista a
diversos vídeos de luta por direitos sociais. Se assistir e gostar,
compartilhe. Sugerimos.

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Ocupação Professor Fábio Alves, em BH/MG: Luta pelo sagrado direito à mo...





Ocupação Professor Fábio Alves, em Belo Horizonte/MG: 500 famílias na Luta pelo sagrado Direito à Moradia. 1a parte. 10/10/2018.

A cumplicidade do Poder Público com o capital especulativo que resulta na falta de política habitacional, e condena a população empobrecida a sobreviver sob a pesadíssima cruz do aluguel, fez nascer mais uma Ocupação urbana em Belo Horizonte: a Ocupação Professor Fábio Alves, localizada na divisa de Belo Horizonte com Ibirité, ao lado da Via do Minério. Há um ano, aproximadamente, algumas famílias ocuparam o terreno e, recentemente, no início desse mês de outubro, centenas de famílias juntaram-se a esse grupo. Cerca de 500 famílias constituem a ocupação desse terreno abandonado há séculos, que servia como depósito de lixo de toda espécie, entulhos, descarte até mesmo de corpos e lá montaram seus barracos de lona preta e dedicam-se ao difícil trabalho de limpeza e à organização do local para ali construírem um espaço de moradia digna. Entretanto, a mola propulsora do capital e do capitalismo impulsionou a ganância e a cobiça dos que se julgam detentores de terrenos ociosos. O terreno antes totalmente abandonado, se tornou, injustamente e inconstitucionalmente, alvo de ação da Polícia Militar de MG que na terça-feira, 10 de outubro/2018, iniciou cerco policial em torno da Ocupação. O Movimento Luta Popular (LP), a Central Sindical Popular CONLUTAS (CSP CONLUTAS) e a Comissão Pastoral da Terra (CPT) apoiam a Ocupação e alertam o Governo do Estado de Minas Gerais de que uma ação policial na Ocupação Professor Fábio Alves colocará em risco a vida de trabalhadores e trabalhadoras, crianças, idosos e deficientes que só querem um lugar para morar com dignidade. Nesse vídeo, o registro do início da luta e resistência dessas famílias com o trabalho de limpeza e organização do espaço. Famílias que, animadas pela fé no Deus da Vida, mantêm-se firmes nessa busca de qualidade de vida, com dignidade e paz.
*Filmagem de frei Gilvander Moreira, da CPT, das CEBs e do CEBI. Edição de Nádia Oliveira, da Equipe de Comunicação da CPT-MG. Belo Horizonte/MG, 10/10/2018.
* Inscreva-se no You Tube, no Canal Frei Gilvander Luta pela Terra e por Direitos, no link: https://www.youtube.com/user/fgilvander, acione o sininho, receba as notificações de envio de vídeos e assista a diversos vídeos de luta por direitos sociais. Se assistir e gostar, compartilhe. Sugerimos.

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Em quem Jesus de Nazaré não votaria no segundo turno em 2018 no Brasil?

Reprodução: Divulgação



Em quem Jesus de Nazaré não votaria no segundo turno em 2018 no Brasil?
Por frei Gilvander Moreira[1]

A crise plural pela qual passa o povo brasileiro e mundial é gravíssima: crise econômica, política, ecológica, social, crise das instituições etc. Justo seria se o voto fosse facultativo e votasse quem quisesse e tivesse acesso às principais informações para discernir quais são os/as melhores candidatos/as. Alegando que iriam diminuir o desemprego, a maioria dos deputados federais e senadores ignoraram 54 milhões de votos e sem Dilma Rousseff ter cometido crime de responsabilidade destituíram a presidenta eleita pela vontade da maioria do povo brasileiro, abrindo as comportas para vários cortes em direitos fundamentais/sociais e rasgando a Constituição. Assim, dia 31 de agosto de 2016 iniciou-se no Brasil o 7º golpe sobre o povo brasileiro, desta vez um golpe parlamentar, jurídico e midiático.
Há vários mitos e mentiras circulando agora durante o segundo turno da eleição para presidente do Brasil. O Brasil não é um quartel. Logo, a eleição presidencial não é para escolher o melhor coronel/capitão. O Brasil é um país com 206 milhões de habitantes, um território de 9,5 milhões de quilômetros quadrados e com biomas – Cerrado, Mata Atlântica, Amazônia, Pantanal, Caatinga e Pampa – profundamente devastados pelo agronegócio que, por meio de monoculturas, uso exagerado de agrotóxico e produção de alimentos transgênicos, está causando a maior devastação socioambiental da história. Pesquisas científicas apontam que o uso de agrotóxicos na agricultura do agronegócio está causando câncer em mais de 600 mil pessoas a cada ano no Brasil. Assustador é que entre as propostas capitalistas de Jair Bolsonaro está acabar com o Ministério do Meio Ambiente e com a fiscalização feita por fiscais do IBAMA, do ICBbio e do Ministério do Trabalho. Isso, segundo ele, “para não incomodar o (grande) produtor”, ou seja: latifundiários e empresários do agronegócio estarão completamente liberados para aprofundar a devastação ambiental e o envenenamento da terra, da água, do ar e dos alimentos. Isso é proposta de exterminador do futuro. Se for colocada em prática essa proposta, será o fim da Mata Amazônica e do pouco de cerrado que ainda existe no Brasil. Essa proposta está totalmente na contramão do que propõe o papa Francisco na Encíclica Laudato Si: “A perda de florestas e bosques implica simultaneamente a perda de espécies que poderiam constituir, no futuro, recursos extremamente importantes não só para a alimentação, mas também para a cura de doenças e vários serviços” (Laudato Si, n. 32). “Anualmente, desaparecem milhares de espécies vegetais e animais” (Laudato Si, n. 33). O papa Francisco apoia a Agricultura Familiar na linha da Agroecologia e critica o agronegócio como um causador do êxodo rural ao dizer: “Há uma grande variedade de sistemas alimentares rurais de pequena escala que continuam alimentando a maior parte da população mundial, utilizando uma porção reduzida de terreno e água e produzindo menos resíduos, quer em pequenas parcelas agrícolas e hortas, quer na caça e coleta de produtos silvestres, quer na pesca artesanal. As economias de larga escala – agronegócio via monoculturas -, especialmente no setor agrícola, acabam forçando os pequenos agricultores a vender as suas terras ou a abandonar as suas culturas tradicionais” (Laudato Si, n. 129).
O latifúndio continua sendo a coluna mestra do capitalismo brasileiro, que é uma máquina de moer vidas humanas e de toda a biodiversidade. As áreas urbanas, por sua vez, consolidam os modelos de desigualdade social, onde a população empurrada para a periferia não tem acesso a uma política habitacional, saneamento básico, saúde e transporte digno. A violência social campeia com mais de 70 mil jovens sendo assassinados anualmente. Diante desse cenário, seja em área rural ou urbana, uma cortina de fumaça está sendo insuflada diante do povo que está sendo cegado e impedido de discernir qual é o candidato ético e que de fato governará o Brasil com o povo e para gerar o bem comum para todos.
Jair Bolsonaro (PSL) é candidato do grande empresariado do capital nacional e internacional. Se eleito, jamais irá governar com o povo e nem para o povo. Será sempre subserviente aos interesses imperiais dos Estados Unidos, pois ele prestou continência à Bandeira estadunidense. Ele continuará privatizando as empresas estatais, a mãe terra, as águas, reduzindo o povo à miséria e desertificando nosso território. Ele não fala nada sobre necessidade de políticas de preservação ambiental e nem de se fazer Reforma Agrária Popular. Ao contrário, promete fortalecer o agronegócio, as mineradoras, impedir a demarcação de terras dos povos indígenas e quilombolas e, pior, reduzir as poucas terras indígenas já demarcadas. Isso é injustiça que clama aos céus!
Se fosse “Deus acima de tudo”, Bolsonaro não discriminaria as mulheres, os indígenas, os quilombolas, as domésticas e os homossexuais etc. Bolsonaro defende torturadores e a tortura. Ele abusa do nome de Deus, pois semeia ódio no tecido social; em vez de colocar livros nas mãos das pessoas, quer liberar o mercado de armas no Brasil. Em 30 anos como deputado, Bolsonaro não contribuiu para melhorar nem a segurança pública no estado do Rio de janeiro. Se eleito, ele será como Trump no Brasil: autoritário e repressor. O ético é pôr nas mãos das pessoas livros e não armas. Ele recebe auxílio moradia sem precisar, usa funcionária do congresso para cuidar da mansão dele no estado do Rio de Janeiro. Ele disse que os povos indígenas não merecem “nem um centímetro de terra”. É uma grande contradição ser pessoa cristã e apoiar quem dissemina violência na sociedade, planeja distribuir armas e autorizar policiais a matar sem ser responsabilizados. O povo brasileiro não merece entrar novamente em outra ditadura. O ético é Ditadura Nunca Mais! Grave também são lideranças religiosas, sejam padres ou pastores, induzirem os fiéis a votarem em Bolsonaro só por causa do seu discurso enganoso que diz “Deus acima de tudo e defensor da família e da moral tradicional”. Ele mesmo já passou por vários casamentos e apresenta propostas antagônicas com a fé cristã: armar as pessoas, ensinar crianças a atirar etc.
Está enganado quem, por antipetismo, votar em Bolsonaro. Não punirá o PT, mas o povo brasileiro já tão injustiçado, pois todas as políticas públicas e direitos sociais serão liquidados. De 2003 a 2015, sob o Governo do PT o salário mínimo teve aumento real, 16 universidades federais e 422 Institutos Federais foram construídos, além de várias políticas públicas de respeito aos direitos humanos fundamentais. Conquistas sociais que nenhum outro partido fez. Não podemos aventurar por no volante do Brasil quem insufla políticas repressoras, que são falsos remédios para injustiças sociais e, pior, até acena no rumo de uma nova ditadura. A quem não sabe o que é Ditadura Militar-civil-empresarial sugiro ler o livro Brasil Nunca Mais e assistir ao Filme Batismo de Sangue.
Muito bem manifestou-se o jornalista Francisco Assis em seu Artigo de Opinião, publicado no Jornal português Público, em sua  edição do dia 11/10/2018 (Selecionamos alguns trechos.):  “Quem elogia o torturador de uma jovem mulher absolutamente indefesa atribui-se a si próprio um estatuto praticamente sub-humano. Tudo nele aponta para a pequenez: é um ser intelectualmente medíocre, eticamente execrável, politicamente vulgar. Bolsonaro é pouco mais do que um analfabeto ideológico com todos os perigos que isso mesmo encerra. Equiparar Haddad a Bolsonaro constitui um acto moral e politicamente inqualificável. Haddad é um intelectual sofisticado, um democrata respeitador dos princípios fundamentais das sociedades abertas e pluralistas, um homem de reconhecida integridade cívica e moral. Uma vitória de Bolsonaro significaria um retrocesso civilizacional para o Brasil e para o mundo. Haddad é hoje mais do que Haddad, é mais do que o PT, é mesmo mais do que o Brasil. Haddad é o símbolo da luta da razão crítica contra o obscurantismo, da liberdade face ao despotismo, da aspiração igualitária diante do culto das hierarquias de base biológica ou social. Haddad significa a civilização, Bolsonaro representa a barbárie”.

Como discípulos/as de Jesus Cristo, devemos primar pela busca da paz como fruto da justiça social, agrária e ambiental; ter o amor e o respeito ao diferente como princípio da convivência social; diante das injustiças sociais, cultivarmos sempre Opção pelos injustiçados como Opção de Classe trabalhadora. É muito importante e fundamental estarmos cientes de que a superação das injustiças passa sempre por educação e cultura popular, a partir dos de baixo.
Enfim, Jesus de Nazaré não votaria em candidato que usa e abusa do nome do Deus da Vida e nem em candidato que representa os interesses do capital. Eis o caminho: votar em quem tem sensibilidade social e humana. Prefiro votar no professor Fernando Haddad, que, como Ministro da Educação ampliou em larga escala o acesso à Educação Pública em todos os níveis, possibilitou aos jovens da classe trabalhadora e das Comunidades Tradicionais o ingresso nas Universidades Públicas e Particulares e criou o Piso Nacional de Salário dos/as professoras/es. Militarização da sociedade jamais será caminho justo para a classe trabalhadora e camponesa e para ninguém.

Belo Horizonte, MG, 17/10/2018.

[1] Frei e padre da Ordem dos carmelitas; doutor em Educação pela FAE/UFMG; licenciado e bacharel em Filosofia pela UFPR; bacharel em Teologia pelo ITESP/SP; mestre em Ciências Bíblicas; assessor da CPT, CEBI, SAB e Ocupações Urbanas; prof. de “Movimentos Sociais Populares e Direitos Humanos” no IDH, em Belo Horizonte, MG.
www.twitter.com/gilvanderluis        –     Facebook: Gilvander Moreira III

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Palavra Ética com Frei Gilvander | Padre Manoel Godoy





No Programa Palavra Ética, da TVC/BH, de 11/10/2018, frei Gilvander Moreira e padre Manoel Godoy refletem sobre o que está em jogo no 2º turno da Eleição para Presidente do Brasil no próximo dia 28/10/2018, no 2º turno das eleições. Usar e abusar do nome de Deus e da Bíblia para seduzir as pessoas é inadmissível. Jesus propôs: “Amai-vos uns aos outros.” E jamais: Armai-vos... Jesus foi preso, torturado, condenado a pena de morte e considerado bandido pelos podres poderes da política (Imperador e os governadores Herodes e Pilatos), da Economia (Saduceus, que eram os grandes proprietários de terra na época) e da Religião (o sumo-sacerdote e os sacerdotes falsos). Portanto, é grande contradição dizer “Deus acima de tudo” e discriminar negros, quilombolas, mulheres, indígenas, LGBTs, ciganos etc. Triste ver pessoa oprimida votar em opressor. Enfim, sugerimos que você assista ao vídeo no link, abaixo. Se gostar, compartilhe.


quarta-feira, 10 de outubro de 2018

TRAGAM OS BERIMBAUS! O que significa o assassinato de um Mestre da Capoeira? Breve história da Arte e da Resistência Negra

TRAGAM OS BERIMBAUS! O que significa o assassinato de um Mestre da Capoeira? Breve história da Arte e da Resistência Negra

Por Alenice Baeta[1] e frei Gilvander Moreira[2

Mestre Moa. Fonte: https://nossapolitica.net/2018/10/mestre-moa-triste-fim-capoeira

Romualdo Rosário da Costa, de 63 anos, o Mestre de Capoeira “Moa do Katendê”, conhecido em nível nacional e internacional, inclusive, também era compositor, percussionista, artesão, educador e fundador do bloco carnavalesco Afoxé Badauê em maio de 1978. Ele foi brutalmente assassinado no dia 07 de outubro de 2018. Sim, foi no dia do 1º turno das eleições de 2018. O motivo de sua morte...? Ter externado em um bar que teria votado em candidatos do Partido dos Trabalhadores (PT). O seu assassino seria um eleitor do fascista Jair Bolsonaro. O assassino partiu para cima do Mestre e o matou a facadas pelas costas. Esse cenário absurdo, mas emblemático, é fruto da intolerância e da violência que vêm sendo apregoadas pelo candidato a presidência do Brasil mais votado no primeiro turno. Esse assassinato possui forte significado: intolerância versus resistência. A ordem é para matar quem resiste na luta pelos seus direitos e não se submete?
A Capoeira é um forte símbolo da resistência histórica dos milhões de negros africanos escravizados e de seus descendentes no Brasil, - entre eles os quilombolas -, sendo usada pelo menos desde o século XVII tendo se desenvolvido e se difundido como forma de sociabilidade, de solidariedade entre os negros escravizados e como estratégia para lidarem com o controle, a discriminação e a violência. Praticada inicialmente por negros escravizados trazidos de Angola nos navios negreiros, principalmente, a Capoeira foi considerada crime até o fim da década de 1930. Segundo o renomado Mestre Pastinha, grande capoeirista Angola, autor do principal clássico sobre o tema, “não há dúvida que a capoeira veio para o Brasil com os escravos africanos” (PASTINHA, 1988:26).
Possivelmente, a Capoeira no Brasil foi readaptada como forma de defesa pessoal contra os opressores e perseguidores na colônia, pois como os negros escravizados não possuíam armas, então usavam o gestual corporal como forma de defesa - tornando-se uma forma de luta e resistência - uma autodefesa contra o inimigo (AREIAS, 1996). Segundo Letícia Reis (1997), a capoeira seria o resultado de uma mescla de diversas danças, rituais, lutas, cânticos, sons e instrumentos musicais advindos, por sua vez, de diversas localidades da África. Possivelmente, esta reconstrução teria ocorrido e se aprimorado especialmente no Recôncavo Baiano.
No início, os negros escravizados, mas resistentes, praticavam a Capoeira nas fazendas, terreiros, tabernas, ruas e becos das vilas de forma clandestina forjando se tratar de uma ‘brincadeira’, pois podiam ser severamente punidos e torturados quando se descobria que se tratava de uma preparação para um tipo de ‘defesa pessoal’. O instrumento berimbau era usado, dependendo do ritmo e da marcação como aviso ou sinal da chegada ou aproximação de capataz, fazendo a dança se transformar em luta, se necessário. Os outros instrumentos são: atabaque, agogô, reco-reco, pandeiro, chocalho e caxixi; sendo que o berimbau (e suas modalidades) é considerado um dos instrumentos mais antigos do mundo.
Mas segundo Luiz S. Santos (1990), com o tempo, os colonizadores perceberam o poder defensivo da Capoeira e a proibiram terminantemente, tendo sido rotulada como ‘arte negra’. Após a abolição formal da escravatura, em 13 de maio de 1888, muitos negros escravizados foram abandonados nas vilas e tiveram que usar a Capoeira como estratégia de defesa por serem perseguidos e discriminados permanentemente pela polícia e capangas dos senhores de terra.
Capoeira - Tela de Augustus Earle (1821 – 1824) Biblioteca Nacional da Austrália - BNA http://www.nla.gov.au/what-we-collect/pictures

 Visando controlar os grupos ou as maltas de capoeiristas que se organizavam e se multiplicavam nas crescentes urbes oitocentistas, sobretudo na Bahia, Alagoas, Pernambuco, Rio de Janeiro e Minas Gerais, foi estabelecida em 1890 que a Capoeira seria ação ilícita pelo antigo Código Penal da República. Foi proibida a utilização de destreza corporal e exercício de agilidade nas ruas e praças públicas, penalizando de seis meses a dois anos a quem ousasse realizar ato de ‘capoeiragem’ (REGO, 1968).
Segundo Anande das Areias (1996), a arte da Capoeira foi se aperfeiçoando e acrobacias foram sendo incorporadas aos praticantes nas esquinas, portas de armazéns e na mata de forma clandestina e de forma oculta. No último decênio do século XIX e nas primeiras décadas do século XX, de forma hábil e inteligente, os capoeiristas resistiram de forma heroica às perseguições e ao forte preconceito da sociedade e do governo ‘republicano’, em República proclamada dia 15 de novembro de 1889 por generais em golpe militar.
Somente na década de 1930, durante o primeiro Governo de Getúlio Vargas, a prática da Capoeira foi permitida com uma série de restrições, devendo ocorrer em recintos fechados e com o alvará de autorização da polícia. Mas segundo Anande das Areias (1996), as rodas de capoeira ocuparam as ruas se popularizando nos principais centros urbanos e festas populares.
Um marco fundamental foi o trabalho do Mestre Bimba que, em 1932, fundou a primeira Academia de Capoeira, tendo sido o grande divulgador da luta Regional Baiana, que posteriormente foi chamada de ‘Regional’ (REIS, 1997). Mestre Bimba era morador do bairro Engenho Velho de Brotas, mesma localidade em que foi assassinado o Mestre Moa, que era da ‘Terra da Capoeira’ onde conviveu com grandes mestres, tais como o Mestre Bimba, Mestre Pastinha, Mestre Gato, Mestre Canjiquinha, Mestre Valdemar e tantos outros. Mestre Moa foi estudante diplomado pelo Mestre Bobó, tendo se iniciado aos 8 oito anos de idade na Academia Capoeira Angola Cinco Estrelas. A localidade Engelho Velho de Brotas foi um dos muitos engenhos de cana de açúcar do período colonial – Casa Grande versus Senzala - e um dos focos iniciais de luta e de resistência dos negros escravizados e da capoeira.
Depois de muita luta dos Mestres Capoeiristas, incluindo o respeitadíssimo Mestre Moa, foi aceito pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) o pedido de registro do ofício dos Mestres de Capoeira e da Roda da Capoeira em 2008. Já em 2014 a 9ª Sessão do Comitê Intergovernamental para a Salvaguarda aprovou, em Paris, a Roda de Capoeira, como um dos símbolos do Brasil mais reconhecidos internacionalmente, portanto, com o status de Patrimônio Cultural Imaterial e Tradicional da Humanidade.
Agora teremos a mácula de um assassinato violento e execrável sob todos os aspectos de um Mestre da Capoeira... Ficam o seu fantástico legado, seus ensinamentos e seus registros. O Mestre Moa dizia: “a capoeira me ensinou tudo isso e um pouco mais. Capoeira é tudo que move para mim. É uma cultura rica, uma cultura dos ancestrais que eu procuro, sempre que posso, cultuar, zelar, transmitir conhecimentos” (Fonte: https://nossapolitica.net/2018/10/mestre-moa-triste-fim-capoeira/).
Durante o enterro do mestre de capoeira Moa, um ato de repúdio à candidatura de Bolsonaro foi organizado. O corpo foi sepultado ao som de uma orquestra de berimbaus. O corpo do Mestre Moa do Katendê não foi apenas enterrado, mas plantado como semente no campo sagrado do cemitério da Ordem Terceira de São Francisco, na Baixa das Quintas, em Salvador, na Bahia, onde recebeu homenagens de familiares, amigos e estudantes.
Diante de atos de preconceito e violência que se multiplicam lamentavelmente pelo Brasil, insuflados por Jair Bolsonaro, que há 28 anos como deputado federal reiteradas vezes manifestou de forma estridente e repugnante apoio a torturadores, a tortura, a pena de morte, além de discriminar maiorias, tais como indígenas, negros, mulheres, nordestinos, ciganos, LGBTs, domésticas, sem-terra, sem-teto etc, está aceso diante de nós um grande sinal: povo brasileiro, não coloque na presidência do Brasil quem estimula a violência e reforça posturas militaristas, senão estaremos autorizando o reingresso do Brasil em outra ditadura. “Felizes os que constroem a paz, pois serão chamados filhos de Deus” (Mateus 5,9), bradou Jesus Cristo no Discurso da montanha na Galileia, periferia da Palestina colonizada pelo Império Romano.

Mestre Moa do Katendê! Presente!
Ritmo de revolta e de indignação...
TRAGAM OS BERIMBAUS !!!

Referências.
AREIAS,  Anande das.  O que é Capoeira. São Paulo: Brasiliense, 1996.
IPHAN. Dossiê Inventário para o Registro e Salvaguarda da Capoeira como Patrimônio Cultural do Brasil. Brasília: IPHAN, 2007.
MESTRE PASTINHA. Capoeira Angola. Salvador: FCBA/MINV, 1984.
REGO, W. Capoeira Angola – ensino sócio-etnográfico. Salvador, Itapuã,  1968.
REIS, Letícia V. de S. O Mundo de pernas para o ar: a capoeira no Brasil. São Paulo: Ed. Publiher Brasil, 1997.
SANTOS, Luiz S.  Educação, Educação Física e Capoeira. Ed. Imprensa Universitária, Maringá, 1990.

[1] Doutora em Arqueologia pelo MAE/USP; Pós-Doutorado no Departamento de Antropologia e Arqueologia na FAFICH/UFMG; Mestra em Educação pela FAE/UFMG; Historiadora e integrante do CEDEFES (Centro de Documentação Eloy Ferreira da Silva – www.cedefes.org.br ); e-mail: alenicebaeta@yahoo.com.br

[2] Frei e padre da Ordem dos carmelitas; doutor em Educação pela FAE/UFMG; licenciado e bacharel em Filosofia pela UFPR; bacharel em Teologia pelo ITESP/SP; mestre em Ciências Bíblicas; assessor da CPT, CEBI, SAB e Ocupações Urbanas; prof. de “Movimentos Sociais Populares e Direitos Humanos” no IDH, em Belo Horizonte, MG.   E-mail: gilvanderlm@gmail.comwww.gilvander.org.br - www.freigilvander.blogspot.com.br      –
www.twitter.com/gilvanderluis        –     Facebook: Gilvander Moreira III

Fonte: http://lurdinha.org/site/da-proximidade-do-odio/

sábado, 6 de outubro de 2018

Comício Boulos/Sônia/PSOL/BH/MG-Léo Péricles/UP: Organizar resistência/D...





Comício de Boulos/Sônia/PSOL, em Belo Horizonte/MG: Leonardo Péricles, da UP e do MLB: Organizar resistência e derrotar o fascismo. 27/9/2018.

Organizar Resistência para derrotar o Fascismo. Leonardo Péricles, Presidente da UP (Unidade Popular pelo Socialismo) e da Coordenação Nacional do MLB (Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas), no comício de Boulos/Sônia Guajajara, candidatos a presidente e copresidenta pelo PSOL, em Belo Horizonte/MG. 27/9/2018. No dia 27/9/2018, aconteceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, o comício de Guilherme Boulos e Sônia Guajajara, candidatos a presidente e copresidenta da República, pelo PSOL – 50. Tendo como lema: “Vamos juntos sem medo de mudar o Brasil”, em torno da candidatura Boulos/Sônia formou-se uma aliança de Movimentos Sociais Populares e segmentos diversos da sociedade civil organizada, com o objetivo de apresentar alternativa para um novo modelo de país, livre da subserviência ao capital e aos capitalistas, com justiça social, agrária e ambiental, igualdade, liberdade e respeito aos direitos que garantem a dignidade de todos e todas. Nesse vídeo, a mensagem de Leonardo Péricles, Presidente da UP (Unidade Popular pelo Socialismo) e integrante da Coordenação Nacional do MLB (Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas).
*Filmagem de frei Gilvander, da CPT, das CEBs e do CEBI. Edição de Nádia Oliveira. Belo Horizonte/MG, 27/9/2018.
* Inscreva-se no You Tube, no Canal Frei Gilvander Luta pela Terra e por Direitos, no link: https://www.youtube.com/user/fgilvander, acione o sininho, receba as notificações de envio de vídeos e assista a diversos vídeos de luta por direitos sociais. Se assistir e gostar, compartilhe. Sugerimos.

PSOL-50 - Guilherme Boulos em BH/MG: No 1º turno, escolher o sonho, a es...





Guilherme Boulos, candidato do PSOL-50 à presidência da República, no comício em Belo Horizonte/MG: "No primeiro turno, depositar na urna o seu sonho, a sua esperança." 2ª Parte. 27/9/2018.

Nascido em São Paulo, Guilherme Castro Boulos, 36 anos, é filho de pais médicos e professores da USP (Universidade de São Paulo) e é o mais jovem candidato a presidente da República. Formado em filosofia pela USP, Boulos também é historiador, professor, escritor, ativista político e coordenador do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto). É candidato a presidente da República pelo PSOL, tendo como candidata a copresidenta a liderança indígena Sônia Guajajara. Nesse vídeo, a 2ª parte da mensagem de Guilherme Boulos, no comício realizado em Belo Horizonte/MG, no dia 27/9/2018, em que confirma a posição da candidatura Boulos/Sônia como elo de unidade contra o fascismo, a ditadura, o retrocesso na democracia, mas defende a importância do fortalecimento do trabalho do PSOL no primeiro turno, considerando a luta por direitos que une a todas as forças vivas da sociedade que compõem a aliança em torno dessa candidatura e que se fortalece na manifestação do voto. Guilherme Boulos conclama a toda a militância e simpatizantes do PSOL a depositarem na urna, no primeiro turno, dia 07/10/2018, o voto no melhor Projeto, depositarem o sonho e a esperança da mudança para o Brasil, livre da subserviência ao capitalismo e aos capitalistas, uma Pátria livre, para todos e todas, de todos e todas.
*Filmagem de frei Gilvander, da CPT, das CEBs e do CEBI. Edição de Nádia Oliveira. Belo Horizonte/MG, 27/9/2018.
* Inscreva-se no You Tube, no Canal Frei Gilvander Luta pela Terra e por Direitos, no link: https://www.youtube.com/user/fgilvander, acione o sininho, receba as notificações de envio de vídeos e assista a diversos vídeos de luta por direitos sociais. Se assistir e gostar, compartilhe. Sugerimos.

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Guilherme Boulos-PSOL, em BH/MG: Sem medo de mudar o Brasil.1ª Parte - 2...







Guilherme
Boulos, candidato a Presidente da República, pelo PSOL-50, no comício realizado
em Belo Horizonte/MG: Sem medo de mudar o Brasil. 1ª Parte. 27/9/2018.

Nascido em São Paulo,
Guilherme Castro Boulos, 36 anos, é filho de pais médicos e professores da USP
(Universidade de São Paulo) e é o mais jovem candidato a presidente da
República. Formado em filosofia pela USP, Boulos também é historiador,
professor, escritor, ativista político e coordenador do MTST (Movimento dos
Trabalhadores Sem Teto). É candidato a presidente da República pelo PSOL, tendo
como candidata a copresidenta a liderança indígena Sônia Guajajara. Nesse
vídeo, a 1ª parte da mensagem de Guilherme Boulos, no comício realizado em Belo
Horizonte/MG, no dia 27/9/2018, em que fala da aliança formada em torno da
candidatura Boulous/Sônia com Movimentos Sociais Populares e segmentos diversos
da sociedade civil organizada, como alternativa de um novo modelo de país,
livre da subserviência ao capital e aos capitalistas, com justiça social,
agrária e ambiental, igualdade, liberdade e respeito aos direitos que garantem
a dignidade de todos e todas. *Filmagem de frei Gilvander, da CPT, das CEBs e
do CEBI. Edição de Nádia Oliveira. Belo Horizonte/MG, 27/9/2018.
* Inscreva-se no You Tube,
no Canal Frei Gilvander Luta pela Terra e por Direitos, no link: https://www.youtube.com/user/fgilvander,
acione o sininho, receba as notificações de envio de vídeos e assista a
diversos vídeos de luta por direitos sociais. Se assistir e gostar,
compartilhe. Sugerimos.

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Fé cristã e eleições 2018: em quem Jesus não votaria?

Reprodução: Oscar de Barros.



Fé cristã e eleições 2018: em quem Jesus não votaria? Por Gilvander Moreira[1]

Eta, espinheira danada / Que o pobre atravessa pra sobreviver / Vive com a carga nas costas / E as dores que sente não pode dizer ...” (Música Espinheira, de Duduca e Dalvan).

A crise plural pela qual passa o povo brasileiro e mundial é gravíssima: crise econômica, política, ecológica, social, crise das instituições etc. Ingenuamente pessoas acreditam que votar corretamente é o caminho para superar as injustiças. Pode ser um caminho, mas não o caminho, pois “entra ano e sai ano e o tal de fulano ainda é pior...”, cantam Duduca e Dalvan. Dentro dos ditames do sistema capitalista, eleições garantem apenas fachada de democracia em sistemas opressores. Correto é investir apenas 5% do nosso tempo, sabedoria e energia em eleições para elegermos os/as melhores candidatos/as e dedicar 95% do nosso tempo, sabedoria e energia na luta por direitos humanos fundamentais para construirmos Política com P maiúsculo, que é luta pelo bem comum. Justo seria se o voto fosse facultativo e votasse quem quisesse e tivesse acesso às principais informações para discernir quais são os/as melhores candidatos/as. Fato é que Eleição não é o que garante democracia econômica, social e política. O voto vale muito pouco. Se voto tivesse valor, não teria acontecido golpe parlamentar, jurídico e midiático contra e ex-presidenta Dilma Rousseff, sem ela ter cometido crime de responsabilidade. Alegando que iriam diminuir o desemprego, a maioria dos deputados federais e senadores ignoraram 54 milhões de votos e destituíram uma presidenta eleita pela vontade da maioria do povo brasileiro, abrindo as comportas para vários cortes em direitos fundamentais/sociais e rasgando a Constituição.
Há vários mitos e mentiras circulando agora em tempo de campanha eleitoral. O Brasil não é uma empresa e nem um quartel. Logo, a eleição presidencial não é para escolher o melhor coronel/capitão e nem para escolher o melhor administrador de empresa. O Brasil é um país com 206 milhões de habitantes, um território de 9,5 milhões de quilômetros quadrados e com biomas – Cerrado, Mata Atlântica, Amazônia, Pantanal, Caatinga e Pampa – profundamente devastados pelo agronegócio que, por meio de monoculturas, uso exagerado de agrotóxico e produção de alimentos transgênicos, está causando a maior devastação socioambiental da história. Pesquisas científicas apontam que o uso de agrotóxicos na agricultura do agronegócio está causando câncer em mais de 600 mil pessoas a cada ano no Brasil.
O latifúndio continua sendo a coluna mestra do capitalismo brasileiro, que é uma máquina de moer vidas humanas e de toda a biodiversidade. As áreas urbanas, por sua vez, consolidam os modelos de desigualdade social, onde a população empurrada para a periferia não tem acesso a uma política habitacional, saneamento básico, saúde e transporte digno. A violência social campeia com mais de 70 mil jovens sendo assassinados anualmente. Diante desse cenário, seja em área rural ou urbana, uma cortina de fumaça está sendo insuflada diante do povo que está sendo cegado e impedido de discernir quais são os/as candidatos/as éticos/as e que de fato serão representantes do povo nos poderes executivo e Legislativo, em âmbito federal e estadual.
As causas principais da violência social que se abate sobre o povo brasileiro, a Mãe Terra, as águas e todos os seres vivos está no capitalismo, sob o modelo de agronegócio e a superexploração dos bens naturais que é imposta pelas empresas transnacionais e pelo capital financeiro e especulativo, principalmente. Predomina aqui o racismo ambiental sob a manutenção da condição de colonialismo que atinge trabalhadores e trabalhadoras rurais, indígenas, quilombolas e outros tipos de povos tradicionais, em regra os mais penalizados. Ainda importante lembrar que nos últimos 20 anos aproximadamente 50 mil trabalhadores se encontravam em situação análoga à escravidão, sendo que esta estimativa deve ser bem superior, estando a maioria envolvida escravizada nos setores de extração mineral, construção civil, agronegócio e confecção de roupas e tecelagem, esta última, que serve a famosas grifes de moda e de redes de varejistas.
Não podemos esquecer que a sociedade brasileira é uma sociedade de classes, organizada para reproduzir a desigualdade social. Há a classe dominante detentora dos meios de produção – terra, empresas, indústrias, fábricas, grandes comércios e capital financeiro especulativo – subjugando a classe trabalhadora e a classe camponesa. Ou seja, opressão de classe e luta de classes são características básicas das relações sociais capitalistas.
Não se deve dar crédito aos candidatos que repetem à exaustão a cantilena: “Temos que gerar emprego e para isso precisamos atrair investidores internacionais com capital internacional. Para isso temos que reduzir o Estado, promover austeridade fiscal e promover competitividade.” Candidatos e partidos que fazem esse tipo de discurso/propaganda na prática estão dizendo “bem-vindas empresas transnacionais. O Brasil está aqui para ser sugado e surrupiado. E o povo resignado aceitará nova colonização.” Quem promove isso não ama o povo brasileiro.
No Bloco de centro-direita estão os candidatos Geraldo Alkmin (PSDB), Henrique Meireles (MDB) e Bolsonaro (PSL) (para citar os que têm mais votos). São candidatos do grande empresariado e que representarão os interesses do capital nacional e internacional. Jamais irão governar para o povo e nunca com o povo. Serão sempre subservientes aos interesses imperiais dos Estados Unidos e continuarão privatizando as empresas estatais, a mãe terra, as águas, reduzindo o povo à miséria e desertificando nosso território. Esses candidatos não falam nada sobre necessidade de políticas de preservação ambiental e nem de se fazer Reforma Agrária Popular. Ao contrário, prometem fortalecer o agronegócio, as mineradoras e até impedir a demarcação de terras dos povos indígenas e quilombolas. Isso é injustiça que clama aos céus!
Na extrema-direita, Jair Bolsonaro é o pior candidato a presidente, porque ele discrimina as mulheres, os indígenas, os quilombolas, as domésticas, os homossexuais, os pobres. Bolsonaro defende torturadores e a tortura. Ele usa em vão o nome de Deus, pois semeia ódio no tecido social; em vez de colocar livros nas mãos das pessoas, quer liberar o mercado de armas no Brasil. Em 30 anos como deputado, Bolsonaro não contribuiu para melhorar nem a segurança pública no estado do Rio de janeiro. Se eleito, ele será como Trump no Brasil: autoritário e repressor. O ético é pôr nas mãos das pessoas livros e não armas. Ele recebe auxílio moradia sem precisar, usa funcionária do congresso para cuidar da mansão dele no estado do RJ. Ele quer privatizar tudo, ou seja, entregar o povo brasileiro, a Mãe Terra, as águas, tudo para multinacionais. Disse que os povos indígenas não merecem “nem um centímetro de terra”. É uma grande contradição ser pessoa cristã e apoiar quem quer semear violência na sociedade, distribuir armas e autorizar policiais a matar. O povo brasileiro não merece entrar novamente em outra ditadura. O filho dele, Carlos Bolsonaro, também deverá ser julgado por defender a tortura. Grave também são lideranças religiosas, sejam padres ou pastores, induzirem os fiéis a votarem em Bolsonaro só por causa do seu discurso enganoso que diz “Deus acima de tudo e defensor da família e da moral tradicional”. Ele mesmo já passou por vários casamentos e apresenta propostas antagônicas com a fé cristã: armar as pessoas, ensinar crianças a atirar, dizer que a polícia tem que ser autorizada a poder matar etc..
No bloco de centro-esquerda estão a candidata Marina Silva (REDE) e os candidatos Ciro Gomes (PDT), Haddad (PT), Guilherme Boulos (PSOL) e Vera Lúcia (PSTU). Para a classe trabalhadora e camponesa Guilherme Boulos é o melhor, pois está umbilicalmente ligado aos movimentos sociais populares, sendo Boulos do MTST e tendo como co-presidenta Sônia Guajajara, liderança indígena profundamente comprometida com a defesa da Mãe Terra, da Irmã Água e da família mais tradicional do Brasil: a indígena. Eis uma dica: no 1º turno, votar no melhor e no 2º turno impedir a eleição do pior. Ético e cristão é votarmos em candidatos não capitalistas, à esquerda, e jamais em candidatos de centro ou de direita. Votar em quem defende a classe trabalhadora e a classe camponesa.
De 2003 a 2015, sob o Governo do PT o salário mínimo teve aumento real, 16 universidades federais e 422 Institutos Federais foram construídos, além de várias políticas públicas de respeito aos direitos humanos fundamentais. Conquistas sociais que nenhum outro partido fez. Não podemos aventurar por no volante do Brasil quem insufla políticas repressoras, que são falsos remédios para injustiças sociais e, pior, até acena no rumo de uma nova ditadura. A quem não sabe o que é Ditadura Militar-civil-empresarial sugiro ler o livro Brasil Nunca Mais e assistir ao Filme Batismo de Sangue.
Enfim, o povo trabalhador e camponês não deve votar em deputados que o traiu no Congresso Nacional congelando os gastos sociais por 20 anos, fazendo a “reforma trabalhista”/desmonte dos direitos trabalhistas, cortando direitos sociais e aprovando a terceirização. Sugerimos: Não votar nos deputados federais e senadores (http://g1.globo.com/politica/noticia/2016/10/saiba-como-cada-deputado-votou-em-relacao-pec-do-teto-de-gastos.html –https://www.cartacapital.com.br/blogs/parlatorio/pec-do-congelamento-de-gastos-como-votaram-os-senadores) que foram a favor da PEC da Morte (congelamento por 20 anos dos investimentos em políticas públicas, Emenda Constitucional nº 95/2016), à Terceirização e à Reforma Trabalhista (https://www.cartacapital.com.br/blogs/parlatorio/reforma-trabalhista-como-votaram-os-deputados – https://g1.globo.com/politica/noticia/saiba-como-cada-senador-votou-sobre-a-reforma-trabalhista.ghtml). Não votar em candidatos que ataquem os Direitos Humanos e defendam o “uso das armas” (https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,arma-e-garantia-de-nossa-liberdade-defende-bolsonaro-em-curitiba,70002247541 ) como solução para os problemas sociais.
Como discípulos/as de Jesus Cristo, devemos primar pela busca da paz como fruto da justiça social, agrária e ambiental; ter o amor e o respeito ao diferente como princípio da convivência social; diante das injustiças sociais, cultivarmos sempre Opção pelos injustiçados como Opção de Classe trabalhadora. É muito importante e fundamental estarmos cientes de que a superação das injustiças passa sempre por educação e cultura popular, a partir dos de baixo. Se as eleições não nos motivam pela politicagem impregnada no sistema que as gerenciam, inspiremo-nos, porém, nas palavras do Papa Francisco e sigamos firmes na luta: “Não deixemos que nos roubem a esperança” (Evangelium Gaudium, 86). Enfim, Jesus de Nazaré não votaria em candidatos que usam em vão o nome do Deus da Vida e nem em candidatos que representam os interesses do capital.

Arinos, MG, 1º/10/2018.

[1] Frei e padre da Ordem dos carmelitas; doutor em Educação pela FAE/UFMG; licenciado e bacharel em Filosofia pela UFPR; bacharel em Teologia pelo ITESP/SP; mestre em Ciências Bíblicas; assessor da CPT, CEBI, SAB e Ocupações Urbanas; prof. de “Movimentos Sociais Populares e Direitos Humanos” no IDH, em Belo Horizonte, MG.
www.twitter.com/gilvanderluis        –     Facebook: Gilvander Moreira III

sábado, 29 de setembro de 2018

Clamor do Rio São Francisco/XXI Romaria/Águas/Terra/MG/Missões/6ª Parte...





O clamor do Rio São Francisco em meio à monocultura da cana: XXI Romaria das Águas e da Terra de MG. Missões. 6ª Parte. 08/9/2018.

A XXI Romaria das Águas e da Terra de Minas Gerais, cuja culminância foi celebrada no dia 16/9/2018, em Lagoa da Prata, Diocese de Luz, MG, teve como tema “Das Nascentes do Rio São Francisco, às Terras da Justiça” e como lema “Cuidando da Mãe Terra e da Irmã Água”. Nesse vídeo, o registro da visita de frei Gilvander, Hemerson e João Bento ao rio São Francisco, cujas águas seguem cantando o louvor da criação, mas clamam por socorro pela vida ameaçada. A região de Lagoa da Prata, antes pantanosa, pela vitalidade do Rio São Francisco, se vê cercada a partir de 1945 pela monocultura da cana, o que prejudica gravemente a Natureza, a Mãe Terra, a Irmã Água e toda a criação. Mudou a paisagem e muito sérias são as consequências para a vida, em toda sua biodiversidade. Um grito por justiça ressoa no ar: pelo Rio São Francisco, pela Mãe Terra, pela Irmã Água, por todos os filhos e filhas de Deus, por todas suas criaturas. A força do capitalismo - máquina de moer vidas - e dos capitalistas tem que ser contida. E isso é responsabilidade de todas as forças vivas da sociedade e das igrejas, de todas as pessoas que sonham e lutam por uma sociedade transformada, com justiça social, agrária e ambiental. 
*Reportagem em vídeo de frei Gilvander Moreira, da CPT, das CEBs e do CEBI. Edição de Nádia Oliveira, da Equipe de Comunicação da CPT-MG.

* Inscreva-se no You Tube, no Canal Frei Gilvander Luta pela Terra e por Direitos, no link: https://www.youtube.com/user/fgilvander, acione o sininho, receba as notificações de envio de vídeos e assista a diversos vídeos de luta por direitos sociais. Se assistir e gostar, compartilhe. Sugerimos.

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Compromisso com a Casa Comum/XXI Romaria/Águas/Terra/MG/Missões/5ª Parte...







Compromisso
com a Casa Comum - XXI Romaria das Águas e da Terra de MG – Início das Missões
– 5ª Parte – 08/9/2018.
A culminância da XXI Romaria
das Águas e da Terra do Estado de Minas Gerais, que aconteceu em Lagoa da
Prata, Diocese de Luz/MG, dia 16/9/2018, foi precedida de uma Semana
Missionária, realizada nas 11 Comunidades da Paróquia São Francisco de Assis,
de Lagoa da Prata. No início das missões, mais de 50 missionários e
missionárias encontraram-se na Comunidade Santa Clara para um momento de
formação, com vivência da espiritualidade e mística dessa XXI Romaria. Após
momentos de reflexão acerca dos graves problemas que afetam o meio ambiente na
Diocese e que exigem ações urgentes em defesa da Mãe Terra e da Irmã Água,
missionários e missionárias foram informados também de felizes iniciativas da
Comunidade, visando o cuidado com a Casa Comum, com a vida, como é o caso do
Projeto Barraginha, que capta a água de enxurrada, controlando a erosão e
guardando a água no subsolo; da APAC (Associação de Proteção e Assistência ao
Condenado), e que também recebeu a visita missionária. Os missionários e
missionários da XXI Romaria das Águas e da Terra de MG tiveram à sua disposição
uma Cartilha com orientações para a Semana Missionária e roteiros de Sete
Encontros a serem realizados com as famílias missionadas, como também o
Cancioneiro Popular com quase 100 cantos sugeridos. “Das Nascentes do São
Francisco, às Terras da Justiça”, “Cuidando da Mãe Terra e da Irmã Água”
missionários e missionárias foram motivados a anunciar a boa nova da esperança,
denunciar injustiças e situações de morte, na certeza de que é possível
construir uma sociedade justa, fraterna, que respeite a dignidade da vida em
toda sua biodiversidade e cuide com responsabilidade da nossa Casa Comum, o
Planeta Terra.
*Reportagem e Filmagem de
frei Gilvander Moreira, da CPT, das CEBs e do CEBI. Edição de Nádia Oliveira,
da Equipe de Comunicação da CPT-MG. Lagoa da Prata/MG, 08/9/2018.
* Inscreva-se no You Tube,
no Canal Frei Gilvander Luta pela Terra e por Direitos, no link: https://www.youtube.com/user/fgilvander,
acione o sininho, receba as notificações de envio de vídeos e assista a
diversos vídeos de luta por direitos sociais. Se assistir e gostar,
compartilhe. Sugerimos.

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Ocupação dos Carroceiros/Bairro Tirol/BH/MG: Negociação, sim. Despejo, n...







Ocupação dos Carroceiros, no Bairro
Tirol, em Belo Horizonte/MG: Negociação, sim. Despejo, não. 23/9/2018.

Famílias de
carroceiros, há quase seis anos, formam a Ocupação dos Carroceiros, no Bairro
Tirol, na região do Barreiro, em Belo Horizonte, MG. A Ocupação, que conta com
o apoio do MLB (Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas) e da CPT
(Comissão Pastoral da Terra), foi a única alternativa dessas famílias de
carroceiros que não tinham e não têm condições de comprar a casa própria e nem
de se submeterem à pesadíssima cruz do aluguel. A área, antes ponto de
desmanche, de consumo de drogas, descarte, hoje é um espaço organizado por
famílias que criaram vínculos afetivos umas com as outras, são usuários do
serviço de saúde pública da região, seus filhos estudam em escolas próximas,
têm suas criações e, muito importante, ali habitam com seus cavalos e éguas,
companheiros/as de trabalho em suas carroças. Há alguns dias, as famílias foram
surpreendidas com a notificação de uma liminar de reintegração de posse, em
favor da SUDECAP da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) - notícia levada pela
URBEL S.A (Companhia Urbanizadora de Belo Horizonte, da PBH) -, exigindo que
saiam do local até amanhã, dia 25/9/2018, sob pena, segundo informaram, de
serem despejadas à força. Sem alternativa digna prévia, esse despejo da
Ocupação dos Carroceiros é injusto, imoral e desumano e fere os princípios da
Dignidade Humana, do Direito a Moradia e da função social da terra, da
Constituição Federal, já que as famílias não foram ouvidas, e nem o TJMG
acionou o Ministério Público e a Defensoria Pública da área de Direitos
Humanos. Como despejar essas famílias que sobrevivem do trabalho com as
carroças, sem lhes apresentar alternativa digna e prévia, onde possam morar,
com espaço também adequado aos seus animais, companheiros/as de trabalho? Pelo
direito à moradia digna, pelo direito ao trabalho dos carroceiros da Ocupação
dos Carroceiros do Bairro Tirol, em Belo Horizonte/MG, pelo respeito à
dignidade humana, NEGOCIAÇÃO, SIM. DESPEJO, NÃO.
*Reportagem
e Filmagem de frei Gilvander Moreira, da CPT, das CEBs e do CEBI. Edição de
Nádia Oliveira, da Equipe de Comunicação da CPT-MG. Belo Horizonte, MG,
23/9/2018.
*
Inscreva-se no You Tube, no Canal Frei Gilvander Luta pela Terra e por
Direitos, no link: https://www.youtube.com/user/fgilvander,
acione o sininho, receba as notificações de envio de vídeos e assista a
diversos vídeos de luta por direitos sociais. Se assistir e gostar,
compartilhe. Sugerimos.

sábado, 22 de setembro de 2018

Padre Tonhão: "Nossos rios foram secados!"/XXI Romaria/Águas/Terra/MG/Mi...





Padre Tonhão: "Nossos rios foram secados!": XXI Romaria das Águas e da Terra de MG – Missões - 3a Parte. 08/9/2018.

A culminância da XXI Romaria das Águas e da Terra do Estado de Minas Gerais, que aconteceu em Lagoa da Prata, Diocese de Luz/MG, no dia 16/9/2018, foi antecedida por uma Semana de Missões nas 11 Comunidades da Paróquia de São Francisco de Assis, que tem como pároco o Padre Joel Bernardes Macedo, em Lagoa da Prata. No início dessas Missões, missionários e missionárias participaram de um fecundo encontro de formação, mística e espiritualidade dessa XXI Romaria. Nesse vídeo, a assessoria de Padre Antônio Campos Pereira, o Padre Tonhão, que refletiu com os/as missionários/as os “Sete Caminhos para a Paz”. Nessa reflexão, foi apresentado o equilíbrio com o meio ambiente como um dos caminhos para a paz. E aí, a importância da realização da XXI Romaria das Águas e da Terra do Estado de Minas Gerais na região, cheia de “chagas” abertas nos rios - gravemente aberta no rio São Francisco, na terra, feridas que destroem a vida, levam à morte, se medidas necessárias urgentes não forem tomadas para conter a ganância dos capitalistas e do capitalismo que tem como objetivo único alimentar o deus mercado e seus privilégios. Nesse contexto crítico, preocupante, essa XXI Romaria das Águas e da Terra chega com o clamor da vida, convocando todas as pessoas de boa vontade, todas as forças vivas das igrejas e da sociedade a assumirem, de forma consciente e responsável, seu papel de romeiros e romeiras da Mãe terra, da Irmã Água e de toda a criação, corresponsáveis pela implantação da justiça social, agrária e ambiental, para que a vida, em toda sua biodiversidade, seja preservada e se realize em nosso meio, o projeto de Jesus de Nazaré, que é de vida com qualidade, dignidade e abundância para todos e todas, filhos e filhas criados à imagem e semelhança do Deus da Vida.

*Filmagem de frei Gilvander Moreira, da CPT, das CEBs e do CEBI. Edição de Nádia Oliveira, da Equipe de Comunicação da CPT-MG.
* Inscreva-se no You Tube, no Canal Frei Gilvander Luta pela Terra e por Direitos, no link: https://www.youtube.com/user/fgilvander, acione o sininho, receba as notificações de envio de vídeos e assista a diversos vídeos de luta por direitos sociais. Se assistir e gostar, compartilhe. Sugerimos.