quarta-feira, 17 de agosto de 2016

CEBs e CPT contra mineração no Norte de MG. Alvimar da CPT: "Não querem...

Filme “Na missão, com Kadu”: do Palácio das Artes, em Belo Horizonte, a luta do povo das Ocupações da Izidora torna-se mais viva na memória da vida de Kadu.

Filme “Na missão, com Kadu”: do Palácio das Artes, em Belo Horizonte, a luta do povo das Ocupações da Izidora torna-se mais viva na memória da vida de Kadu.


Um clamor ensurdecedor por moradia, por direitos sociais, por respeito dignidade humana e contra a repressão policial e contra o conluio dos governos com o capital.

Dia 12 de agosto de 2016, à noite, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, MG, na sala Humberto Mauro, superlotada, aconteceu a exibição do Filme-documentário “Na missão, com Kadu”, dos cineastas Aiano Mineiro e Pedro Maia de Brito.  Muita gente chorou durante a exibição. Ao final, houve uma roda de conversa sobre o Filme “Na missão, com Kadu” e os outros três curtas apresentados. “Na missão, com Kadu” foi gravado com o próprio Kadu (Ricardo Freitas) quatro meses antes de ele ser assassinado dia 22/11/2015 em uma emboscada na entrada da Ocupação-comunidade Vitória, uma das três ocupações da Izidora, em Belo Horizonte e Santa Luzia, MG.
O filme foi construído a partir das gravações que Kadu fez durante repressão da polícia Militar do estado de Minas Gerais[1] a uma manifestação com mais de 2 mil pessoas que pacificamente marchavam na Linha Verde (MG-010) rumo à Cidade Administrativa, sede do Governo de Minas, em Belo Horizonte, MG, na manhã do dia 19 de junho de 2016.
O filme mostra, sem ficção, realidade nua e crua da repressão perpetrada:  durante mais de 30 minutos, a tropa de choque e helicóptero da PM/MG jogaram bombas de gás lacrimogêneo no povo e atiraram sem piedade. Mais de 90 pessoas foram feridas por tiros de balas de borracha e mais de 40 foram presos, após serem feridos covardemente. Várias pessoas idosas e crianças quase morreram sufocadas por gás lacrimogêneo no pânico disseminado pela repressão policial. Uma das muitas bombas jogadas do helicóptero da PM/MG caiu no colo de Alice, uma criança de 8 meses, que estava no carrinho de bebê. Sua mãe puxou a criança do carrinho e a bomba estourou no chão ao cair do colo de Alice. A frauda da criança ficou queimada pela bomba. A mãe saiu desesperada com a criança sufocada pelo gás. Por um trisco a PM de MG não assassinou ali na hora Alice, uma criança de 8 meses, filha de Gleiciane, da Ocupação Esperança.[2]
No teatro superlotado todos foram unânimes ao dizer que os 25 desembargadores do TJMG, da Corte Superior, devem assistir ao filme “Na missão, com Kadu”, antes de julgarem o Mandado de Segurança. Todas as autoridades e toda a sociedade também devem assistir ao filme. Infelizmente, a PM de MG continua truculenta inclusive diante das legítimas reivindicações por direitos sociais como o direito a moradia digna e adequada.
O filme questiona com veemência a postura cruel da PM de MG e o governador Fernando Pimentel, do PT, que autorizou ou deixou uma repressão absurda ocorrer. Recordamos que as Ocupações da Izidora – Rosa Leão, Esperança e Vitória – com cerca de 8 mil famílias já construíram em 3,3 anos de luta cerca de 5 mil casas de alvenaria. Sobre os documentos da Granja Werneck pairam sérios indícios de grilagem de terra, cadeia dominial falsa e escrituras falsas. Além de uma decisão do STJ que proíbe o Estado de Minas fazer a reintegração de posse, há uma Ação Civil Pública absurdamente não julgada há mais de 3 anos.
 Enfim, o filme “Na missão, com Kadu” decreta mais uma vez que tentativa de despejos nas Ocupações da Izidora podem causar um massacre de proporções inimagináveis. O filme é um apelo muito forte para que o TJMG, a prefeitura de Belo Horizonte, Governo de Minas, Granja Werneck S.A e Construtora Direcional de fato aceite um processo de negociação justa, idônea se superar de forma justa e pacífica esse que é um dos maiores conflitos fundiários e sociais do Brasil.
O filme “Na missão, com Kadu” recebeu o prêmio do júri de Melhor Filme da Competitiva Nacional e também o prêmio do público como o Melhor Filme pelo Júri Popular.

Assinam essa Nota Pública,
Comissão Pastoral da Terra (CPT),
Brigadas Populares
Movimento de luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB)
Coletivo Margarida Alves de Assessoria Popular
Coordenações das Ocupações-comunidades Vitória, Esperança e Rosa Leão.

Belo Horizonte, MG, Brasil, 17 de agosto de 2016





[2] Cf. no link, a seguir, relato da mãe de Alice e da irmãzinha dela: PM joga bomba em crianças e quase mata uma criança: https://www.youtube.com/watch?v=VYUPMom2c1U

Alvimar Ribeiro dos Santos, “o Alvimar da CPT”, está passando para a vida eterna, vida plena. Nota da CPT/MG, em 17/08/2016.

Alvimar Ribeiro dos Santos, “o Alvimar da CPT”, está passando para a vida eterna, vida plena. Nota da CPT/MG, em 17/08/2016.


Profundamente comovidos, informamos que após esperar na fila para transplante de fígado, após pegar infecção na medula e já com alguns dias no CTI do Hospital Santa Casa de Misericórdia, de Montes Claros, MG, o Alvimar da CPT, como carinhosamente muitos o chamam, está, segundo boletim médico de ontem às 23:00hs, dia 16/08/2016, quase confirmado clinicamente com morte encefálica. O próximo boletim médico será hoje, quarta-feira, dia 17/08/2016, às 14:00h.
Alvimar Ribeiro dos Santos nasceu no campo no município de Montes Claros, dia 13 de julho de 1954, tem 61 anos: um pai, mestre e profeta na luta pela terra e por direitos sociais em Minas Gerais, especialmente no Norte e Noroeste de Minas. Alvimar participa da Comissão Pastoral da Terra (CPT) de Minas Gerais desde 1982 (34 anos de CPT), é um dos fundadores da Comissão Pastoral da Terra no Norte de MG. Exerceu várias profissões, “mas a que mais gosto é de ser pedreiro”, nos disse Alvimar dia 11/07/2016, quando gravamos 135 minutos de Entrevista com ele (entrevista que está no youtube, em 4 partes). Alvimar foi presidente do Sindicato da Construção Civil de Montes Claros e diretor atual do SETHAC e diretor da FETHEMG; ajudou a fundar muitos STRs no Norte e Noroeste de MG nas décadas de 1980 e 1990; ajudou a construir várias oposições sindicais; foi um dos fundadores e diretor da CUT regional do Norte de MG; foi coordenador estadual da CPT/MG muitos anos em vários mandatos; foi um dos fundadores do Centro de Agricultura Alternativa (C.A.A), em 1985, e um de seus coordenadores; foi coordenador da Casa de Pastoral Comunitária (Pastorais Sociais) da Arquidiocese de Montes Claros; foi coordenador da Cáritas da Arquidiocese de Montes Claros; participante assíduo das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), Alvimar estava terminando o curso de preparação bíblico-teológica para ser ordenado Diácono Permanente da Arquidiocese de Montes Claros. Alvimar, entre tantas tarefas, era um “conselheiro do arcebispo de Montes Claros, dom José Alberto de Moura”.
 Alvimar da CPT, um defensor intransigente dos direitos sociais do campesinato: posseiros, quilombolas, geraizeiros, vazanteiros, sem-terra e dos indígenas, tendo contribuído muito na reconquista do território do povo indígena Xacriabá e do território quilombola de Brejo dos Crioulos, no Norte de Minas.
Alvimar teve ao seu lado em 45 anos de matrimônio Lúcia Helena Costa dos Santos: um mar de bondade, mulher lutadora e de uma força interior infinita. Alvimar e Lúcia têm uma filha: Graziele dos Santos Fortini e três filhos: Cristian Jonas Costa dos Santos , de 35 anos, Daniel Costados Santos, de 32 anos e Osvaldo Samuel Costa dos Santos, 31 anos; e três netas: Amanda Cristina Amarante Santos, Júlia Alcântara Santos e Maria Clara Santos Fortini  e dois netos: João Gabriel Santos Fortini e Uirá Moreno Nascimento Santos.
Alvimar tem uma imensa família de companheiras e companheiros de luta pela terra e por direitos sociais. Ao Alvimar nossa eterna gratidão por ter sido Homem comprometido pra valer com a luta da classe camponesa oprimida e com a classe trabalhadora. Pessoa íntegra, ética e religiosa segundo a Teologia da Libertação. Mesmo que você morra, Alvimar, você terá vida eterna e plena e continuará sempre muito vivo em nós, na luta por uma Terra Sem Males, terra partilhada e socializada para que todos e tudo tenham vida em abundância e liberdade.

Contatos para maiores informações:
Com Samuel (filho), cel. 38 99733 5608; Lúcia (esposa): 38 3014 7141 ou Paulo Faccion: cel. 38 98825 0366.

Eis, abaixo, links da Entrevista de 135 minutos, em 4 partes, que gravamos com Alvimar Ribeiro dia 11/07/2016 na casa dele e da Lúcia, em Montes Claros:


Pela Comissão Pastoral da Terra (CPT/MG), frei Gilvander Moreira.

Belo Horizonte, MG, Brasil, 17/08/2016.